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Compra de carro

Como calcular o custo total de um carro financiado

O custo total é entrada + todas as parcelas + custos da contratação. Veja como fazer a conta e quanto o prazo pesa nesse resultado.

Revisado em 4 min de leitura Por Equipe AutoCredito

Mãos anotando valores em um bloco ao lado de uma calculadora, recibos e uma chave de carro sobre a mesa.

O custo total de um carro financiado é a soma de tudo o que sai do seu bolso para comprá-lo: entrada + todas as parcelas + custos pagos na contratação. A diferença entre esse total e o preço do carro é o quanto o financiamento custou. Olhar só a parcela esconde esse número, e é ele que mostra se a compra faz sentido.

A fórmula básica

Custo total = entrada + (parcela × número de parcelas) + custos pagos à vista

A partir dele, dois indicadores ajudam a enxergar o peso do financiamento:

  • Custo acima do preço: custo total − preço do veículo
  • Percentual de custo adicional: custo acima do preço ÷ preço do veículo

Se você ainda não tem a parcela, calcule-a primeiro no simulador de parcela ou no simulador de financiamento, que já mostra o custo total.

O que entra na conta

Entrada

É dinheiro seu, que sai na compra. Ela não gera juros, mas faz parte do que o carro custou para você. Entrada maior reduz o valor financiado e, com isso, os juros totais. O guia quanto dar de entrada mostra cenários.

Todas as parcelas

Multiplique a parcela pelo número de parcelas. Em parcelas fixas, a conta é direta. Se o contrato tiver parcelas variáveis, some uma por uma.

Custos de contratação

São valores como tarifas, registro do contrato, avaliação do veículo, tributos e outros encargos que constem da proposta. Eles podem ser pagos à vista ou incluídos no valor financiado. Se forem financiados, já estarão dentro das parcelas e passam a gerar juros, então não some duas vezes.

O que vale aqui é a lista que aparece na proposta da instituição. Não use valores de memória ou estimativas genéricas.

O que normalmente fica de fora

Gastos de manter o carro, como combustível, manutenção, documentação anual e seguro, não fazem parte do custo do financiamento. Eles importam para o orçamento, e o guia sobre se a parcela cabe no orçamento trata disso, mas convém mantê-los separados para comparar propostas de crédito de forma justa.

Exemplo hipotético

Valores hipotéticos: carro de R$ 90.000,00, entrada de R$ 25.000,00, R$ 1.800,00 de custos de contratação pagos à vista, e R$ 65.000,00 financiados a 1,69% a.m. em 48 parcelas.

  • Parcela: R$ 1.987,68
  • Total das parcelas: R$ 95.408,80
  • Juros totais: R$ 30.408,80
  • Custo total: R$ 25.000,00 + R$ 95.408,80 + R$ 1.800,00 = R$ 122.208,80
  • Custo acima do preço: R$ 32.208,80 (cerca de 35,79% do preço do carro)

O mesmo carro, mudando só o prazo:

PrazoParcelaCusto totalAcima do preço% adicional
36 mesesR$ 2.424,92R$ 114.096,99R$ 24.096,9926,77%
48 mesesR$ 1.987,68R$ 122.208,80R$ 32.208,8035,79%
60 mesesR$ 1.732,24R$ 130.734,69R$ 40.734,6945,26%

Totais calculados sem arredondar a parcela; podem diferir alguns centavos de parcela × prazo.

Por que o prazo pesa tanto

No exemplo, passar de 36 para 60 meses reduz a parcela em quase R$ 700, mas acrescenta mais de R$ 16 mil ao custo total. Isso acontece porque, com taxa positiva, cada mês a mais é um mês a mais pagando juros sobre o saldo. Parcela menor não significa carro mais barato. O guia 24, 36, 48 ou 60 parcelas aprofunda esse efeito.

Custo total e CET não são a mesma coisa

O custo total é um valor em reais: quanto você desembolsa. O CET (Custo Efetivo Total) é uma taxa que expressa o custo da operação de crédito com juros, tarifas, tributos e outros encargos. Os dois se complementam:

  • O custo total responde “quanto vou pagar?”.
  • O CET responde “quanto custa esse crédito, em percentual, comparado a outro?”.

No exemplo acima, a taxa de juros de 1,69% a.m. equivale a cerca de 22,28% a.a. Considerando os R$ 1.800,00 de custos como redução do valor líquido recebido, o CET estimado fica em torno de 1,82% a.m., ou 24,24% a.a. Esse é um cálculo aproximado a partir dos fluxos; o CET oficial é o que a instituição informa na proposta. Para estimar com os seus números, use o simulador de CET estimado e leia o que é CET.

Como usar o custo total para comparar propostas

  1. Monte a conta para cada proposta com entrada, parcelas e custos, todos tirados do documento recebido.
  2. Compare o custo acima do preço, e não só a parcela.
  3. Se as propostas tiverem prazos diferentes, compare também o CET, que coloca operações diferentes na mesma base.
  4. Verifique se algum custo foi incluído no valor financiado, para não somá-lo duas vezes.
  5. Guarde a data das propostas: condições podem mudar.

Perguntas frequentes

O custo total inclui a entrada?

Sim. A entrada é parte do que você paga pelo carro. Para medir só o custo do crédito, olhe os juros totais e os custos de contratação, ou o CET da proposta.

Se os custos forem financiados, como faço a conta?

Nesse caso eles já estão dentro do valor financiado e, portanto, das parcelas. Some apenas entrada e parcelas, sem somar os custos de novo.

Qual percentual de custo adicional é aceitável?

Não existe um número universal. Depende da taxa, do prazo, da entrada e do quanto você precisa do carro agora. O indicador serve para comparar cenários e propostas entre si.

Gastos com manutenção e combustível entram no custo total do financiamento?

Não. Eles são custos de uso do carro e entram no seu orçamento mensal, mas não no custo da operação de crédito. Mantê-los separados facilita comparar propostas.